PENSANDO NAS MENINAS
A CULPA É SUA???
English/video:
Huffingtonpost.com/your-fault
All India Bakchod –
http://www.allindiabakchod.com/
https://www.facebook.com/IndiaBakchod
Vídeo de grupo de humor na Índia vira hit com sátira a quem responsabiliza mulheres por onda de estupros.
"Estudos sugerem que mulheres usando saias são a principal causa de estupro", diz a moça sorridente, de saia curtinha, num cenário neutro e de música suave. "Vamos encarar, meninas: Estupro? A culpa é sua!"
A frase dita pela atriz Kalki Koechlin, famosa por papéis no cinema indiano, abre o vídeo que se transformou num hit no YouTube, com 2,3 milhões de acessos, no momento em que a Índia debate as causas dos altos índices de violência contra mulheres.
Koechlin e a também celebridade indiana Juhi Pande passam pouco mais de três minutos desfiando todo os lugares comuns sexistas que atribuem às mulheres a responsabilidade pela violência sexual sofrida.
A cena inicial segue com uma didática lista de roupas "provocativas" que devem ser evitadas: saia, shortinho, burca, traje espacial. "Não importa, homens têm olhos", responde a atriz. E, em caso de estupro, já se sabe de quem é a culpa...
O vídeo, que na versão com legendas em português tem mais de 16 mil acessos, é uma produção do grupo All India Bakchod (Os charlatões da Índia, em tradução livre), espécie de versão indiana do coletivo de humor brasileiro "Porta dos Fundos".
Um motivo para tanta repercussão no país é que os argumentos satíricos das moças --que podem reverberar em maior ou menor grau dependendo da região do mundo-- são assustadoramente comuns na discussão local sobre estupro e violência contra a mulher dentro e fora do casamento.
A cada 20 minutos, uma mulher é estuprada no país. Mas só uma de cada 50 vítimas tem coragem de dar queixa na polícia porque, na maioria das vezes, a polícia culpa a própria mulher.
O assunto também está no vídeo. "Se você está cansada de ser humilhada por ser estuprada, você sempre pode procurar os policiais e ser humilhada por eles!".
Ajudou a repercussão a produção ter surgido dias depois da condenação de quatro homens à morte pelo estupro coletivo de uma estudante em dezembro --ela morreu.
Mesmo no caso, que comoveu o país, houve quem achasse que ao menos parte da culpa foi da estudante. O popular guru indiano Asaram Bapu, por exemplo, disse que a vítima teve algo de culpa, já que em vez de resistir "devia ter rezado para Deus e pedido aos estupradores, chamando-os de Bhaya' (irmão), que a deixassem em paz".
No vídeo, elas tentam o truque, enquanto são atacadas.
"Isso é o tipo de coisa que eu ouvi a minha vida toda crescendo na Índia. Mulheres de todas as idades ouviram", disse a atriz Koechlin ao canal indiano NDTV.
Veja o vídeo:
https://www.youtube.com/watch?v=jOG7gUeHJBU.
Fonte: Folha de S.Paulo – 10/10/13.
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O VOTO
Voto obrigatório – Quando os bons defendem causas ruins, é sinal de que tudo pode ser pior
É lamentável, mas é assim. A Comissão de Constituição e Justiça do Senado rejeitou, por 17 votos a 6, uma PEC de autoria do senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), com voto favorável do relator, Pedro Taques (PDT-MT), que instituía o voto facultativo no Brasil. Como vocês sabem, no Brasil, votar é chamado de um “direito” que o cidadão é obrigado a exercitar. Se não o fizer e não se justificar, ele é severamente punido. O Brasil tem dessas delicadezas. Com alguma frequência, chama-se, por aqui, imposto de “contribuição”, e o “direito” se transforma numa imposição. E mais triste ainda é quando o erro recebe o endosso dos bons.
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) votou contra. E deu uma justificativa lastimável, informa Gabriel Castro, na VEJA.com: “As democracias avançadas e consolidadas têm uma sociedade civil muito forte”. Como assim? Estaria, então, a sociedade brasileira num processo de formação? Será que o Brasil é, digamos assim, infantil para poder lidar com coisas sérias como… voto facultativo? O senador certamente é capaz de explicação melhor do que essa. Não conheço nenhuma, mas ele pode tentar.
Nos últimos 40 anos, os EUA , por exemplo, foram governados por quatro republicanos — Nixon-Ford (1973-1976); Reagan (1981-1988); Bush pai (1989-1992) e Bush Filho (2001 a 2008). São seis mandatos do partido. Ao todo, 24 anos. Tiveram três democratas (o quarto está em curso): Carter (1977-1980); Bill Clinton (1993-2000) e Barack Obama (2009-2012) — um total de 16 anos. Ao fim de 2016, com o Obama II, serão 20. O quase empate se verifica caso de estenda o levantamento ao século passado. Por lá, o voto é facultativo — como é na Venezuela, onde sucessivos golpes no processo eleitoral têm impedido a alternância no poder. Nicolás Maduro só é presidente porque houve, nesta ordem: a) um golpe legal, b) fraude eleitoral.
Assim, não é o voto obrigatório ou facultativo que faz a qualidade da democracia. Eu até tendo a achar, contra as minhas convicções mais gerais, que o voto facultativo contribui para submeter o processo político a uma torção à esquerda porque as esquerdas são sempre mais organizadas do que os conservadores. Mas e daí? Há, independentemente da questão ideológica, um fator de princípio: direito não é obrigação nem mesmo quando uma eventual imposição contribui para proteger o indivíduo da própria negligência. O uso de cinto de segurança, por exemplo, é uma imposição — ainda que faça bem ao usuário. Mas continua a não ser um direito.
Pedro Simon (PMDB-RS) se saiu com outro argumento de impressionante fragilidade. Segundo ele, em cidades com eleitorado pequeno, poderia haver manipulação e tal. É mesmo, é? Digamos que um coronel local pudesse dar uma grande churrascada para que pessoas deixassem de votar. Isso é diferente de, por exemplo, oferecer transporte gratuito para que votem? Ora… Taques disse a coisa certa: “Ou nós chegamos à conclusão de que o cidadão brasileiro está preparado para fazer opções ou vamos continuar numa atitude paternalista de que o cidadão precisa ser tutelado por aquele que é mais inteligente”.
Lamentável a decisão da CCJ e mais lamentáveis ainda os argumentos dos bons em favor de uma causa ruim.
Por Reinaldo Azevedo - http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/ - 02/10/13.
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