PENSANDO NOS MELHORES DA DÉCADA
OS DEZ MAIS
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http://www.sciencemag.org/site/special/insights2010/
A primeira década do século 21 mudou completamente a forma de fazer ciência. Muito do que parecia ser impossível aconteceu, como o mapeamento completo do DNA de criaturas extintas há milhares de anos e a descoberta de centenas de planetas fora do Sistema Solar.
A "Science", uma das mais importantes revistas da área, escolheu os destaques do período. Biotecnologia e genética dominam a lista.
O mergulho no lado oculto do genoma é um deles. Nos anos 2000, os cientistas descobriram que os humanos têm muito menos genes do que se pensava. Além disso, o que durante muito tempo foi chamado de "lixo" no DNA mostrou ter funções importantes, ajudando na regulação de todo o genoma.
As pesquisas com células-tronco também deram um salto. Os cientistas conseguiram "domá-las" e já produzem em laboratório qualquer tecido do corpo humano, viabilizando um dos mais promissores tratamentos para várias doenças.
O desenvolvimento de métodos para analisar DNA de criaturas que viveram há milhões de anos permitiu saber com precisão inédita detalhes de sua aparência.
Além de descobrir a cor de dinossauros ou mamutes, também se descortinou o passado dos seres humanos, os quais, agora se sabe, tiveram filhos com neandertais.
A astronomia ocupa três posições na lista. Além de avanços na precisão das medições no espaço, a década também foi marcada pela confirmação da existência de água no subsolo de Marte.
O registro de planetas fora do Sistema Solar bateu recordes. Em 2000, havia 26 confirmados. Hoje, são 505.
O levantamento da "Science" incluiu ainda uma questão política: as pesquisas sobre as mudanças climáticas.
Na opinião do historiador da ciência da USP Gilson Santos, a lista da "Science" é relevante, mas deixou de fora resultados importantes.
"Noto a ausência da química e de outras ciências, como a geologia, a oceanografia e a matemática."
Como maior destaque de 2010, a "Science" escolheu um invenção quase indecifrável: uma minúscula haste de metal, visível a olho nu, que obedece às regras da física quântica, antes só aplicáveis a objetos submicroscópicos, como átomos.
Ela conseguiu vibrar rápido e devagar ao mesmo tempo, o que só é possível num cenário quântico.
Biotecnologia e genética também dominam o levantamento anual, com destaque para novas técnicas para regredir células-tronco adultas ao estágio embrionário.
DESTAQUES DA DÉCADA
A parte oculta do genoma
O que se imaginava a respeito do DNA humano estava errado. Além de menos genes (são 21 mil, contra os 100 mil idealizados antes), boa parte do que se achava "lixo" desempenha funções importantes
Células-tronco
Células com capacidade de reescrever seu próprio destino, as células-tronco foram uma das mais promissoras fronteiras para o tratamento de doenças. E, nesta década, os cientistas aprenderam melhor do que nunca como manejá-las e controlá-las
Microbioma
Nos anos 2000, os humanos finalmente deram uma trégua às bactérias e aceitaramque muitos desses micro-organismos desenvolvem funções importantes no funcionamento e até na proteção do corpo humano
DNA pré-histórico
Novas técnicas de análise permitiram avaliar o DNA de animais e plantas extintos dezenas de milhares ou milhões de anos atrás, com bastante precisão. Desse modo, descobriu-se a cor das penas de alguns dinossauros e até detalhes sobre cabelo e pele dos neandertais
Água em Marte
Missões espaciais encontraram evidências muito fortes de que houve água líquida no planeta vermelho bilhões de anos atrás. Mais recentemente, pesquisadores comprovarama existência de gelo enterrado no solo e até em grandes blocos
Exoplanetas
A quantidade de planetas conhecidos fora do Sistema Solar disparou: passou de 26, em 2000, para os atuais 505. E os registros não paramde acontecer, devido a vários avanços tecnológicos na astronomia
Estudos do aquecimento global
A década foi marcada pelo reconhecimento dos problemas climáticos e dos estudos sobre eles, que ganharam financiamento e repercussão mundiais
Inflamação
Os processos inflamatórios se mostraram muito mais complexos do que se imaginava. Descobriu-se que câncer, diabetes e até Alzheimer são relacionados a respostas inflamatórias que podem, em muitos casos, levar à morte ou a sequelas graves
Mais precisão na cosmologia
Vários experimentos mostraram melhor do que nunca o que está acontecendo no Universo. Algumas técnicas levarama resultados surpreendentes, como a comprovação de que o Cosmos é plano
Metamateriais
Cientistas criaram uma junção de materiais que age com propriedades que não são normalmente encontradas na natureza. Eles trabalham direcionando a luz e outras ondas eletromagnéticas, conseguindo efeitos considerados impossíveis de forma natural
Giuliana Miranda - Fonte: Folha de S.Paulo - 17/12/10.
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SABEDORIA DO TUBARÃO
Dois enormes tubarões brancos observam os sobreviventes de um naufrágio.
– Siga-me, filho! - diz o tubarão pai para o filho.
E nadam até os náufragos.
– Primeiro, vamos nadar em volta deles, mostrando apenas a ponta das nossas barbatanas fora da água.
E assim eles fizeram.
– Muito bem, meu filho! Agora vamos nadar ao redor deles, algumas vezes, com nossas barbatanas totalmente de fora.
E assim eles fizeram.
– Agora, nós podemos comer todos eles.
E assim eles fizeram.
Quando finalmente se saciaram, o filho perguntou:
– Pai, por que nós não os comemos logo de início? Por que ficamos nadando ao redor deles várias vezes?
O sábio e experiente pai respondeu calmamente:
– Porque ficam mais saborosos sem merda dentro...
“Estratégia é tudo”
(Colaboração: Hélio Bob Pai)
O FRACASSO DA EDUCAÇÃO
O mal-estar na educação nesta modernidade avançada advém do fato de que uma geração já não se responsabiliza pela educação da outra que lhe sucede. As gerações mais novas são levadas a pensar que são as primeiras, as fundadoras do mundo, e, por isso, agem como se tudo lhes fosse devido.
O repasse da cultura, assessorado pela disciplina, que levaria ao adormecimento das piores tendências da criança em prol do que ela possui de melhor, não está sendo, em definitivo, instituído. Sem disciplina, contrariamente ao que proclama a pedagogia associada ao mundo do mercado, no qual o aluno é apenas um cliente do Estado ou do setor privado, perde-se a possibilidade de que o estudante compreenda as leis e suas coerções.
Isso quer dizer que o dispositivo disciplinar é fundamental para fazer surgir o sujeito crítico - e autocrítico: aquele capaz de distinguir as diferenças e as consequências de cada ato seu.
A "revolução pedagógica" ocorrida de 1960 para cá parece, segundo Dany Robert Dufour, um "talk-show" televisivo no qual cada um pode dar "democraticamente" sua opinião. Ora, nada como destituir as verdades para transformá-las em meras e "inofensivas" opiniões. Quem nada sabe se equipara àquele que muito sabe, ou seja, todos saem nivelados pela mediocridade, pela aversão ao esforço, à paciência, à concentração, enfim, ao aprendizado de um discurso mais sofisticado, mais elaborado.
É preciso entender que, onde não há condições para que se desenvolva uma relação professor-aluno, poderá emergir um aluno atraído para a violência, uma vez que não discernirá entre a lei e a não-lei, tanto a real quanto a simbólica.
Se esses jovens forem "fabricados" para não perceberem o sentido das coisas, se lhes for roubada pela omissão, intencional e política, essa experiência fundamental, eles se tornarão cada vez mais violentos, e retornarão à sociedade com a velocidade dos bumerangues.
A esta altura seria um erro acreditar que os atos de violência nas escolas - isso sem contar as inúmeras incivilidades que ocorrem todos os dias - são e serão casos isolados. Desde o garoto em Kobe, no Japão, que assassinou três outras crianças, decapitando uma delas, em 1998; aos alunos no Espírito Santo que jogaram uma professora do segundo andar porque ela os "perseguia"; passando pelo aluno belo-horizontino que matou a facadas seu professor por motivo torpe; tudo leva a crer que há um encadeamento "ad infinitum".
O ponto-chave está no fato de que a educação passou a ser o braço executivo do mercado. O mercado passou a ditar, inclusive nas universidades, o que ele quer, do jeito que quer, para, em breve, ser ele a educar também. A lógica é a de todos terem pleno acesso, mas ao nada. Os estudantes - pobres estudantes! - serão treinados como animais de circo a participar da grande festa que celebra o vazio. Devem, sobretudo, no vácuo da ausência de pensamento, aprender a consumir.
Eulália Jordá-Poblet - Médicao - Fonte: O Tempo - 22/12/10.
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