VESTIBULAR? NEM!!!
Muito se tem escrito, falado e lido nas últimas semanas sobre a decisão do MEC de acabar com os vestibulares nas universidades federais. O assunto ainda é muito novo e poucos já têm a exata noção das mudanças. O fato é que MEC/Inep estão empenhados em propagar as informações necessárias sobre o novo Enem, inclusive já está previsto em breve, um simulado na internet com cerca de 50 perguntas (a prova oficial terá 200 questões e acontecerá em 03 e 04 de outubro). Até 20 de maio, as federais deverão confirmar ao MEC se vão adotar esse novo modelo de seleção.
Diversas informações e comentários têm sido divulgados na mídia. A coluna Essencial da revista Super Interessante de maio – edição 265, com texto de Gisela Blanco, traz várias indicações e comparações “super interessantes”. Abaixo alguns tópicos:
- a nova versão do Exame Nacional do Ensino Médio para substituir e unificar as provas das universidades federais promete exigir muito mais análise e raciocínio lógico do que informação bruta a ser decorada;
- o MEC admitiu que se inspirou no americano SAT (sigla em inglês para Teste de Medição Escolar), que é aplicado 7 vezes por ano (por enquanto aqui é só uma, mas a ideia é alcançar 7 também). Em duas versões: uma de raciocínio, que avalia matemática, leitura crítica e redação, e outra que testa o aprendizado de matérias específicas – física, história etc. Ambas reconhecidas pela qualidade das questões, que obrigam o aluno a de fato raciocinar;
- na China a prova é semelhante, também unificada e ocorre uma vez por ano (a pressão é tão forte que está entre as causas das altas taxas de suicídio no país, de até 3,5 milhões de pessoas por ano);
- na Dinamarca, a prova simplesmente não existe: o que conta são as notas obtidas durante todo o ensino médio. Se o curso pretendido é engenharia, os examinadores levam mais em conta as notas do candidato nas aulas de matemática. Se a ideia é cursar letras, não tem muita importância ter passado raspando em química por 3 anos.
- na Argentina, na Bélgica e na França, o acesso é garantido sem vestibular nem currículo: basta ter um diploma de nível médio, pelo menos para entrar nas faculdades menos concorridas (é o que acontece na prática por aqui também, já que os “processos seletivos” de algumas das nossas particulares permitiriam a matrícula de um babuíno). Mas o acesso automático não garante nada em alguns casos: na Argentina, ao fim do primeiro ano de curso, há uma prova para decidir quem segue na faculdade ou não;
- entre as universidades mais disputadas do mundo, o método é mais complexo. É o caso das que fazem parte da Ivy League, o grupo das 8 americanas de elite (entre as quais Yale, Harvard, Colúmbia e MIT). Elas até levam em conta as notas do SAT, mas também avaliam currículos, exigem cartas de recomendação, fazem entrevistas pessoais... até a personalidade do candidato entra em jogo. Tudo conta: participação em grêmio estudantil, viagem de mochilão, trabalhos comunitários... Tudo isso, por sinal, não existe só para o bem do aluno. Mas para o da própria instituição. Um diploma de Harvard foi importante para a carreira de Barack Obama. Mas ter formado um Barack Obama que virou presidente é ainda mais valioso para Harvard, pois aumenta o prestígio que a universidade já tem. Daí a importância de uma seleção realmente precisa;
- nesse ano, cerca de 5 milhões de estudantes vão concluir o ensino médio no Brasil, mas há menos de 300 mil vagas nas faculdades públicas, as mais concorridas. Nos 5 cursos mais disputados das 5 universidades top de linha, são só 1 300 vagas. Um baita funil, que vai continuar duro de atravessar.
Para finalizar, em sua coluna na Folha de 12/05, Rubem Alves teceu um comentário interessante sobre o vestibular, mencionando o absurdo educacional dos vestibulares, pois se trata de um esforço inútil, onde tudo é esquecido. A memória não é burra. Não carrega conhecimentos que não fazem sentido. A memória inteligente sabe esquecer. Complementa demonstrando sua felicidade a respeito do fim dos vestibulares, mas deixando no ar um receio: “Imaginem um restaurante que servia uma comida de gosto ruim, indigesta e que provocava vômitos e diarreia. O dono do restaurante, diante das queixas dos seus clientes, resolve fazer uma reforma na forma como a comida era servida: trocou as panelas velhas por panelas novas e a louça branca antiga, por uma louça azul. Mas a comida continuou a mesma... Será possível que isso aconteça?”.
Cabe aos canais de comunicação atenção para que todas as informações sobre esse novo processo de seleção sejam divulgadas de forma ampla e irrestrita a todos os cidadãos brasileiros. O novo método seletivo, por si só, com certeza não vai salvar o ensino brasileiro, pois tanto o ensino fundamental quanto o ensino médio precisam melhorar, e muito, mas de antemão, será muito mais justo e democrático do que os “vestibulares-decoreba” de até então. De toda forma, o estudante que quiser alcançar o seu “objeto de desejo”, ou seja, as melhores universidades do país, deverá se preparar cada vez mais e melhor, só que de uma forma muito mais analítica. Vestibular? Nem!!! Ou melhor, ENEM...
Educação, Paz, Saúde e Ensino Superior a todos!
A casa de Rubem Alves – O Fim do Vestibular - http://www.rubemalves.com.br/
Íntegra do texto da Super Interessante – “A decoreba já vai tarde: o vestibular pode acabar.” - http://super.abril.com.br/revista/265/materia_revista_451137.shtml?pagina=1.
Confira a Matriz de habilidades do Novo Enem que está disponível para consulta:
http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL1126228-5604,00.html
Foto cima - Fonte: http://fotos.limao.com.br/ (Estudantes protestam pelo fim do vestibular: A estimativa é que cerca de 5 mil pessoas participaram da passeata da Avenida Paulista até a República. Os estudantes pediram mais verba para a assistência estudantil e melhoria na qualidade do ensino - 15/04/09).
Capa - Fonte: http://www.tudoemfoco.com.br/
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