Faculdade Mental
PENSE! - 05/06/2015

  

PENSANDO NAS ABELHAS



POLINIZAÇÃO...

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Você sabia que um terço de tudo que se come no mundo depende da polinização realizada das abelhas?
Site integra parte da campanha mundial "Bee or not to be", que alerta sobre desaparecimento das abelhas.
Recentemente, uma pesquisa revelou que um terço de tudo que se come no mundo depende da polinização realizada pelas abelhas. Mas e se um dia as abelhas simplesmente desaparecessem? Quais seriam as consequências?
Para monitorar o recente desaparecimento das abelhas no mundo, o site “Bee Alert” foi criado como uma plataforma on-line colaborativa voltada a apicultores e pesquisadores para atuar na preservação da popular espécie.
Estudos recentes afirmam que boa parte das mortes de abelhas nos últimos anos está ligado ao uso de agrotóxicos nas plantações. No período de 2008 a 2010, por exemplo, cerca de 15 mil colmeias foram perdidas devido ao uso dos inseticidas.
Por isso, a ideia do aplicativo é relatar a ocorrências sobre mortes e desaparecimentos dos insetos no site “semabelhassemalimentos.com”. No portal, é possível indicar o lugar da morte as causas das mortes e a quantidade.
Fonte: Catraca Livre (Colaboração: Francisca)
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ABELHAS: RESISTIR A UMA PROVOCAÇÃO É INDÍCIO DE SABEDORIA
"O Poder maior está em controlar a si mesmo".
Um Urso procurava por entre as árvores, pequenos frutos silvestres para sua refeição matinal, quando deu de cara com uma árvore caída, dentro da qual, um enxame de abelhas guardava seu precioso favo de mel.
O Urso, com bastante cuidado, começou a farejar em volta do tronco tentando descobrir se as abelhas estavam em casa.
Nesse exato momento, uma das abelhas, que voltava do campo onde fora coletar néctar das flores para levar à colméia, deu de cara com o matreiro e curioso visitante.
Receosa com aquilo que pretendia o Urso fazer em seguida, voou até ele e deu-lhe uma ferroada, para desaparecer em seguida no interior oco da árvore caída.
O Urso, tomado de dor pela ferroada, ficou furioso, e incontrolável, pulou em cima do tronco com unhas e dentes, atacando a tudo e a todas, disposto a destruir o ninho das abelhas como vingança. Mas, isso apenas o fez provocar uma reação em cadeia de toda colméia.
Assim, ao pobre Urso, só restou fugir o mais depressa que pode em direção a um pequeno lago, onde, depois de nele mergulhar e permanecer imerso por um bom tempo, finalmente se pôs à salvo.
Moral da História:
É mais sábio suportar uma simples provocação em silêncio, que despertar a fúria incontrolável de um inimigo mais poderoso.
Autor: Esopo.

A FÁBULA DAS ABELHAS
“Aquilo que de pior existe em cada um, contribuiu alguma coisa para o bem comum.” (Bernard Mandeville)
Publicado em 1714 pela primeira vez e em 1723 numa versão mais completa, A Fábula das Abelhas,de Bernard Mandeville, causaria uma reação tamanha que vários pensadores importantes comentaram a obra e ainda o fazem. O outro título usado pelo autor foi Vícios Privados, Benefícios Públicos, o que já dá uma idéia melhor do seu conteúdo central. Mandeville defendia que aquilo entendido como vício pelos homens – como a ganância, inveja, vaidade e orgulho – era fundamental para a prosperidade da nação.
O desejo humano na busca do auto-interesse teria como conseqüência não intencional um caráter estabilizador para a sociedade. O “bem comum” não seria um produto da retidão das pessoas, de suas virtudes, mas sim dos seus vícios individuais. Mandeville tentou explicar a origem da moral como uma domesticação da mente selvagem. O comportamento dito moral teria surgido das reações de criaturas egoístas às opiniões de outros porque essas opiniões têm conseqüências tangíveis importantes ao seu próprio bem-estar. Para Mandeville, uma das maiores razões de por que tão poucas pessoas se compreendem é porque os escritores estão sempre ensinando como os homens deveriam ser, enquanto poucos se dão ao trabalho de mostrar como eles realmente são.
A Fábula conta, de forma irônica, como os vícios de cada abelha em particular eram vitais para a pujança econômica da colméia como um todo. No entanto, pregando como ideal as virtudes e condenando os vícios, as abelhas acabaram tendo seu pedido atendido, e seu deus colocou um fim nos vícios. Todos eram virtuosos agora. Mas não foi preciso muito tempo para que o desemprego começasse a surgir em larga escala, e a economia da colméia ficasse totalmente estagnada.
Mandeville pretende mostrar a importância dos vícios, mas deixa claro que, apesar destes serem inseparáveis das grandes sociedades, e que é impossível a riqueza sobreviver sem eles, os membros particulares da sociedade que são culpados de algum vício devem ser reprovados ou mesmo punidos quando viram crimes. Ou seja: se aceita que os vícios são a força motora do crescimento econômico, mas nem por isso deixa-se de combater seus excessos. O alvo de Mandeville era aparentemente os moralistas que pintavam o homem como anjos. Seu texto pode até ser visto como um reductio ad absurdum desse moralismo, mostrando como seria na prática uma sociedade habitada somente por “santos” que abdicam de seus próprios interesses, de sua ganância.
Um dos grandes pensadores que criticou a obra de Mandeville foi Adam Smith. Em Teoria dos Sentimentos Morais, ele diz: “O Dr. Mandeville considera que tudo o que se faz por senso de conveniência, por respeito ao que é recomendável e louvável, se faz por amor ao louvor e à aprovação, ou, como ele diz, por vaidade. Observa que o homem naturalmente está muito mais interessado em sua própria felicidade do que na de outros, e que é impossível, em seu foro íntimo, preferir realmente a prosperidade destes à sua própria. Quando aparenta preferir a de outros, podemos estar certos de que nos ludibria, e de que está agindo pelos mesmos motivos egoístas e todas as outras vezes. Dentre todas as suas outras paixões egoístas, a vaidade é uma das mais fortes, e sempre fica facilmente lisonjeado e intensamente deliciado com os aplausos dos que o rodeiam”.
Mas Adam Smith afirma que o desejo de fazer o que é honroso e nobre, de nos convertermos em objetos apropriados de estima e aprovação, não pode ser chamado de vaidade. O amor à verdadeira glória, segundo Adam Smith, é diferente da paixão da vaidade simples, pois é uma paixão “justa, razoável e eqüitativa, enquanto a outra é injusta, absurda e ridícula”. Ele explica: “O homem que deseja estima por algo realmente estimável nada mais deseja senão aquilo a que com justiça tem direito, e aquilo que não lhe pode ser recusado sem que se cometa alguma espécie de ofensa”. Nesse sentido, até o que finge merecer estima está reconhecendo o que é estimável. A frase de La Rochefoucauld expressa com perfeição isso: “A hipocrisia é a homenagem que o vício presta à virtude”.
Adam Smith coloca o dedo no nervo da questão: “É a grande falácia do livro do Dr. Mandeville representar cada paixão como inteiramente viciosa, em qualquer grau de sentido. É assim que trata como vaidade tudo o que guarde alguma referência com o que são ou deveriam ser os sentimentos alheios; e é por meio desse sofisma que estabelece sua conclusão favorita, de que vícios privados são benefícios públicos”. No entanto, após a mordida, o filósofo escocês assopra, afirmando que “por mais destrutivo que esse sistema possa parecer, jamais poderia ter ludibriado tão grande número de pessoas, nem provocado um alarma tão generalizado entre os amigos dos melhores princípios, se não tivesse em alguns aspectos bordejado a verdade”.
Hayek foi um dos grandes pensadores modernos que resgatou a obra de Mandeville. Um dos pontos mais importantes que merece ser destacado é o fato de que ações individuais geram resultados não intencionais. Não é preciso chegar ao ponto de defender vícios como virtudes, pois basta reconhecer que ações voltadas para a própria felicidade podem acarretar em bem-comum. Mas nada impede que esses indivíduos sejam virtuosos, seguindo um parâmetro ético de comportamento. A ética lida com aquilo que pode ser, diferente daquilo que é. Falar em ética é falar em escolha individual.
Como diz Eduardo Giannetti, em seu livro Vícios Privados, Benefícios Públicos?, “as regras do jogo e a qualidade dos jogadores são os dois elementos essenciais de qualquer sistema econômico”. Giannetti acredita que é uma “ilusão supor que o auto-interesse dentro da lei é tudo o que o mercado precisa para mostrar do que ele é capaz na criação de riqueza”. Afinal, “nenhum ordenamento moral conseguiria manter-se baseado apenas na imposição, por parte da autoridade estatal, de leis coercitivas sobre um conjunto de indivíduos isolados e recalcitrantes”. O medo não basta. A punição não é suficiente. O caráter da população importa. O capital humano é fundamental. A confiança mútua facilita muito. A ética conta. Como disse Benjamin Disraeli, “quando os homens são puros, as leis são inúteis; quando os homens são corruptos, as leis são quebradas”.
Isso não quer dizer, de forma alguma, que a tentativa de se “corrigir” a natureza humana, imposta de cima para baixo, seja desejável. O século XX já mostrou com os horrores do nazismo e comunismo o que a “engenharia” do caráter faz. David Hume já havia alertado que “todos os planos de governo que pressupõem uma grande reforma na conduta da humanidade são claramente fantasiosos”. Isso não nos impede, entretanto, de buscar enaltecer as virtudes humanas num ambiente de liberdade individual. Para Giannetti, seria a volta do senso comum: “virtudes privadas, benefícios públicos”.
Texto presente em “Uma luz na escuridão”, minha coletânea de resenhas de 2008.
Fonte: Veja.com - Coluna: Rodrigo Constantino

CONFIRA A ÍNTEGRA DE: A FÁBULA DAS ABELHAS
A Fábula das Abelhas, de Bernard Mandeville
Segue abaixo, um dos mais polêmios poemas da história. Uma obra de vital importância dentro do contexto da Economia Clássica, tendo sido comentada, inclusive, por Adam Smith.

Uma grande colméia, repleta de abelhas, 
Que viviam com luxo e comodidade, 
Porém eram tão famosas por leis e armas 
Quanto por copiosos e precoces enxames, 
Era tida como o grande berço 
Das ciências e da indústria. 
Não havia abelhas que possuíssem governo melhor, 
Maior volubilidade ou menos contentamento; 
Não eram escravas da tirania, 
Nem governadas pela desenfreada Democracia, 
E sim por reis, que não podiam errar, 
Pois seu poder era restrito por leis.

Esses insetos viviam como os homens, 
E todas as nossas ações executavam em miniaturas; 
Faziam tudo o que se faz na cidade, 
E o que é da alçada da espada ou toga, 
Embora os trabalhos engenhosos dos membros minúsculos 
De tão ligeiros escapassem à vista humana. 
Entretanto, não temos máquinas, trabalhadores, 
Navios, Castelos, armas, artífices, 
Ofício, ciência, loja ou instrumento 
Para os quais não possuíssem equivalente; 
Estes, sendo sua língua desconhecida, 
Devem ser chamados com os nomes que damos aos nossos.

Como concessão, entre outras coisas, 
Queriam dados, mas tinham reis, 
E estes tinham guardas, do que se pode, acertadamente, 
Concluir que algum jogo havia, 
A menos que exista um regimento 
De soldados que não pratique nenhum. 
Grandes números abarrotavam a fértil colméia, 
Porém essa multidão fazia com que prosperassem;

Milhões empenhavam-se em satisfazer 
Mutuamente sua cupidez e vaidade, 
Enquanto outros milhões labutavam 
Para ver destruídas suas obras. 
Abasteciam metade do universo, 
Porém tinham mais trabalho que trabalhadores. 
Alguns, com grande capital e pouco esforço, 
Lançavam-se a negócios de fabulosos lucros; 
Outros estavam condenados à foice e à espada, 
E a todos esses árduos e cansativos ofícios 
Nos quais, voluntariamente, desgraçados suam dia após dia, 
Esgotando as forças e os membros para poderem comer,

Enquanto outros se dedicavam a mistérios 
Aos quais poucos encaminhavam aprendizes, 
Que não requeriam outro cabedal senão o descaramento, 
E podiam estabelecer-se sem um centavo sequer, 
Como trapaceiros, parasitas, gigolôs, jogadores, 
Punguistas, falsários, charlatães, adivinhos 
E todos os que, inimigos 
Do trabalho honesto, astuciosamente 
Convertiam em seu próprio benefício 
O trabalho do afável e incauto próximo.

A esses chamavam velhacos, mas exceto pelo nome, 
Os austeros industriosos eram iguais; 
Todos os negócios e cargos tinham algo de desonesto, 
Nenhuma profissão era isenta de embustes.

Os advogados, cuja arte tinha por base 
Suscitar contendas e dividir causas, 
Opunham-se a todos os registros, pois as trapaças 
Poderiam dar mais trabalho com propriedades hipotecadas, 
Como se fosse ilegal que o patrimônio de alguém 
Fosse conhecido sem uma ação judicial. 
Postergavam deliberadamente as audiências, 
Para embolsar polpudos honorários, 
E, para defender uma causa iníqua, 
Examinavam e observavam as leis, 
Como ladrões que espreitam lojas e casas 
Para descobrir qual o seu ponto fraco.

Médicos valorizavam fama e riqueza 
Acima da saúde dos depauperados pacientes 
Ou de sua própria habilidade; a maior parte estudava, 
Em vez de as regras da arte, 
Olhares graves e pensativos e atitudes apáticas, 
Para ganhar a simpatia do boticário 
E elogios das parteiras, sacerdotes 
E todos os que lidavam com nascimentos e funerais, 
Suportar a incessante tagarelice da tribo, 
E ouvir a tia da dona da casa prescrever, 
Com um sorriso afetado e um cortês “como vai?” 
Para bajular toda a família 
E, o que é o pior de todos os tormentos, 
Agüentar a impertinência das enfermeiras.

Entre os muitos sacerdotes de Júpiter, 
Contratados para invocar as bênçãos do céu, 
Alguns havia sábios e eloqüentes, 
Mas milhares lascivos e ignorantes; 
Contudo, todos preenchiam os requisitos que podiam ocultar 
Sua preguiça, luxúria, avareza e orgulho, 
Pelos quais eram tão famosos quanto alfaiates 
Por sonegar retalhos e marinheiros por rum. 
Alguns, magros e pobremente vestidos, 
Rezavam misticamente por pão, 
Com isso querendo dizer uma farta despensa, 
Contudo, literalmente, não recebiam nada além. 
E, enquanto esses santos labutadores passavam fome, 
Alguns preguiçosos a quem serviam 
Abandonavam-se ao ócio, com todas as graças 
Da saúde e da fartura nas faces.

Os soldados, que eram forçados a lutar, 
Se sobrevivessem, auferiam honrarias, 
Embora alguns, que se esquivavam de brigas sangrentas, 
Houvessem sido feridos na fuga. 
Alguns generais valentes combatiam os inimigos, 
Outros aceitavam suborno para deixa-los escapar; 
Alguns aventuravam-se sempre onde a luta era mais renhida, 
Perdiam ora uma perna, ora um braço, 
Até que, totalmente inválidos, eram postos de lado, 
E viviam com a metade do soldo, 
Enquanto outros nunca apareciam no campo de batalha, 
E ficavam em casa recebendo em dobro.

Seus reis eram servidos, porém astutamente 
Logrados pelo seu próprio ministério; 
Muitos, que pelo seu bem-estar arduamente trabalhavam, 
Roubavam a própria coroa a quem salvavam; 
As pensões eram pequenas, e eles viviam à larga, 
Porém jactavam-se de sua honestidade, 
Chamando, sempre que extrapolavam seus direitos, 
Gratificação a seu logro matreiro; 
E, quando entendiam seu jargão, 
Mudavam o nome para emolumento, 
Relutantes em ser concisos ou explícitos 
Com tudo o que se referisse a ganhos; 
Pois não havia abelha que não quisesse 
Ganhar mais, não direi, do que merecia, 
Porém do que ousava permitir que soubessem 
Aqueles que lhes pagavam, como jogadores 
Que, embora jogando limpo, nunca revelam 
Aos perdedores o quanto ganharam.

Mas quem pode enumerar todas as suas fraudes? 
O próprio material que na rua 
Vendiam como esterco para enriquecer o solo, 
Freqüentemente, como descobria o comprador, 
Era sofisticado com um quarto 
De pedras e argamassa imprestáveis, 
Embora pouca razão tivesse para queixar-se 
Aquele que também vendia gato por lebre.

A própria Justiça, célebre pela equanimidade 
Embora cega não perdera o tato; 
Sua mão esquerda, que deveria sustentar a balança, 
Deixara-a muitas vezes pender, subornada com ouro; 
E, conquanto parecesse imparcial, 
Quando se tratava de punição corporal, 
Alardeava seguir curso regular 
Em assassinatos e todos os crimes violentos, 
Porém alguns, primeiro mandados ao pelourinho por desonestidade, 
Eram enforcados na própria corda com que haviam sido açoitados. 
Contudo, pensava-se, a espada que ela empunhava 
Reprimia apenas os pobres e desesperados 
Que, impelidos por mera necessidade, 
Eram amarrados à árvore dos desgraçados 
Por crimes que não mereciam tal destino, 
Senão para proteger os ricos e poderosos.

Assim, o vício imperava em cada parte, 
Embora o todo fosse um paraíso; 
Incensados na paz, temidos na guerra, 
Tinham o respeito dos estrangeiros, 
E, na abundância de riqueza e vidas, 
Eram a força preponderante entre todas as colméias. 
Tais eram as bênçãos daquele estado 
Que seus crimes conspiravam para torna-lo grandioso; 
E a virtude, que com a política 
Aprendera milhares de artifícios sutis, 
Tornara-se, pela feliz influência, 
Amiga do vício, e desde então 
O pior elemento em toda a multidão 
Fazia algo para o bem comum. 
Era essa a estatística que regia 
O todo, do qual cada parte reclamava; 
Isso, como na harmonia musical, 
Conciliava as dissonâncias no geral. 
Grupos diretamente opostos 
Ajudavam-se mutuamente, como por perversidade, 
E a temperança e a sobriedade 
Serviam à embriaguez e à gula.

A avareza, raiz do mal, 
Esse maldito, perverso, pernicioso vício, 
Era escrava da prodigalidade, 
O pecado nobre; enquanto o luxo 
Empregava um milhão de pobres, 
E o orgulho odioso, mais um milhão. 
A própria inveja e a vaidade 
Eram ministros da indústria; 
Sua extravagância predileta, a volubilidade 
No comer, vestir-se e mobiliar, 
Tornara-se, vício estranho e ridículo, 
A própria roda que movia os negócios. 
Suas leis e seus trajes eram, igualmente, 
Coisas mudáveis, 
Pois, o que em certo momento era bem visto, 
Meio ano depois tornava-se crime. 
Entretanto, enquanto assim alteravam suas leis, 
Sempre encontrando e corrigindo imperfeições, 
Através da inconstância reparavam falhas 
Que a prudência não poderia prever.

Assim, o vício fomentava a engenhosidade 
Que, unida ao tempo e ao trabalho, 
Propiciava as comodidades da vida, 
Seus verdadeiros prazeres, confortos e facilidades, 
A tal ponto que mesmos os pobres 
Viviam melhor que os ricos de outrora, 
E nada mais havia a acrescentar-se.

Como é vã a felicidade dos mortais! 
Tivessem eles noção dos limites da bem-aventurança, 
E de que a perfeição, cá embaixo, 
Está acima do que os deuses podem conceder, 
E os queixosos animais ter-se-iam contentado 
Com ministros e governo. 
Porém eles, a cada sobrevento, 
Como criaturas irremediavelmente perdidas, 
Maldiziam os políticos, o exército, as frotas, 
Enquanto cada um gritava “Abaixo os desonestos!”, 
Apesar de cônscio dos próprios defeitos, 
Dos demais, barbaramente, não tolerava nenhum.

Um, que conseguira patrimônio principesco 
Enganando o patrão, o rei e os pobres, 
Atrevia-se a bradar “Que a terra pereça 
Por todas as suas fraudes!”; e quem pensais” 
Que o patife pregador do sermão censurava? 
A um luveiro, que vendera couro grosseiro por pelica!

A menor coisa feita incorretamente, 
Ou que obstasse aos negócios públicos, 
E já todos os velhacos gritavam disfarçadamente: 
“Oh, Deus! Se ao menos houvesse honestidade!” 
Mercúrio sorria ante a imprudência, 
E outros chamavam-na falta de senso, 
Sempre a protestar contra o que amavam. 
Porém, Júpiter, cheio de indignação, 
Finalmente, irritado, jurou livrar 
Da fraude a vociferante colméia. E assim o fez. 
No mesmo momento, ela se foi 
E a honestidade encheu seus corações; 
Revelaram-se-lhes, como na árvore do conhecimento, 
Os crimes dos quais se envergonharam, 
E que então, em silêncio, confessaram, 
Enrubescendo ante sua torpeza, 
Como crianças que, desejando esconder suas faltas, 
Pela cor denunciam os pensamentos, 
Imaginando, ao serem olhados, 
Que os outros vêem o que fizeram.

Porém, oh deuses! Que consternação! 
Quão grande e súbita foi a alteração! 
Em meia hora, no país inteiro, 
A carne caiu um pêni por libra; 
A máscara da hipocrisia despencou, 
Do grande estadista ao palhaço; 
E alguns, tão conhecidos pela aparência afetada, 
Pareceram estranhos com a sua natural.

O tribunal ficou silencioso a partir de então, 
Pois agora os devedores, voluntariamente, pagavam 
Mesmo o que os credores haviam esquecido, 
E estes desobrigavam os que não podiam saldar as dívidas. 
Os que estavam sem razão calaram-se 
E desistiram dos esfarrapados e vexatórios processos, 
Com o que, já que ninguém prospera menos 
Do que advogados em uma colméia honesta, 
Todos, exceto os que tinham grandes posses, 
Partiram, levando consigo seus tinteiros.

A justiça enforcou alguns, outros libertou, 
E, após esvaziarem-se as prisões, 
Não mais sendo necessária sua presença, 
Retirou-se com todo o seu cortejo e pompa. 
Na vanguarda marcharam ferreiros, com cadeados e grades, 
Grilhões e portas com chapas de ferro; 
A seguir, carcereiros, guardas e ajudantes; 
Á frente da deusa, a alguma distância, 
Seu fiel ministro principal, 
Dom Algoz, o grande executor da lei, 
Empunhando não a espada imaginária, 
Mas seus próprios instrumentos, o machado e a corda; 
Então, em uma nuvem, a bela de olhos vendados: 
A justiça em pessoa, impelida pelo ar; 
Em volta de sua carruagem, e na retaguarda, 
Seguiram sargentos, esbirros de todas a espécie, 
Beleguins e todos aqueles funcionários 
Que das lágrimas arrancam seu sustento.

Embora vivesse a medicina enquanto houvesse doentes, 
Ninguém prescrevia senão abelhas habilitadas, 
As quais dispersaram-se tanto pela colméia 
Que nenhuma precisava de condução; 
Deixaram de lado controvérsias inúteis e esforçaram-se 
Por livrar os pacientes do sofrimento; 
Abandonaram as drogas produzidas em países desonestos 
E usaram os produtos da sua própria terra, 
Sabendo que os deuses não mandam doenças 
A nações sem remédios.

O clero despertou da preguiça; 
Não mais delegaram suas incumbências às abelhas auxiliares; 
Isentos de vício, serviram pessoalmente 
Aos deuses, com oração e sacrifício. 
Todos os que eram inaptos, ou sabiam 
Serem dispensáveis seus serviços, retiraram-se; 
Nem havia trabalho para tantos 
(se é que os honestos precisam de algum). 
Somente uns poucos permaneceram com o sumo-sacerdote, 
A quem os demais juraram obediência; 
Ele próprio ocupou-se de assuntos divinos, 
Cedendo a outro os negócios de estado. 
Não escorraçou de sua porta nenhum faminto, 
Nem roubou aos pobres seu salário; 
Em sua casa os esfomeados foram alimentados, 
Os subordinados tiveram pão sem restrições, 
E os viajantes necessitados, cama e comida.

Entre os grandes ministros do rei 
E todos os administradores subalternos 
A mudança foi grande pois, frugalmente, 
Passaram a viver de seu salário. 
Que uma abelha pobre viesse dez vezes 
Pedir o que lhe era devido, uma quantia irrisória, 
E por um escrivão bem pago fosse obrigada 
A dar algo por fora ou nunca receber, 
Seria agora considerado absoluta desonestidade, 
Embora antes fosse prerrogativa. 
Todos os lugares, antes administrados por três, 
Que vigiavam mutuamente suas velhacarias, 
E muitas vezes, por camaradagem, 
Promoviam os roubos uns dos outros, 
Felizmente passaram a ser geridos por um só; 
Com isso, foram-se outros milhares.

Nenhuma honra agora poderia satisfazer-se 
Em viver devendo pelo que gastava; 
Librés ficaram expostas em lojas de penhores, 
Desfizeram-se de carruagens por uma pechincha, 
Venderam cavalos magníficos às parelhas, 
E casas de campo para saldar dívidas.

Evitou-se o gasto inútil tanto quanto a fraude; 
Não mais mantiveram exércitos no exterior; 
Riram-se da estima dos estrangeiros 
E das glórias vãs conseguidas com guerras; 
Lutaram, mas pelo bem da pátria, 
Quando o direito e a liberdade estavam em jogo.

Olhai agora a gloriosa colméia e vede 
Como se conciliam honestidade e negócios: 
O espetáculo terminou; esvaiu-se rapidamente, 
E apresentou-se com face bastante diversa, 
Pois não só foram-se aqueles 
Que somas vultosas gastavam anualmente, 
Mas multidões, que neles tinham seu ganha-pão, 
Foram diariamente forçadas a fazer o mesmo; 
Inutilmente buscara outros ofícios, 
Pois estavam todos superlotados. 
Caiu o preço da terra e das casas; 
Palácios maravilhosos, cujos muros, 
Como os de Tebas, foram feitos para o espetáculo. 
Puseram-se para alugar, enquanto os outrora garridos, 
Bem estabelecidos deuses domésticos ficariam 
Mais satisfeitos em morrer no fogo do que ver 
A modesta inscrição na porta 
Sorrir das soberbas que eles exibiam. 
A construção civil foi aniquilada, 
Não se empregaram mais artífices, 
Nenhum pintor ganhou fama por sua arte, 
Canteiros e entalhadores não se tornaram conhecidos.

Os que permaneceram tornaram-se moderados, 
Esforçaram-se não para gastar, mas para viver, 
E, tendo pago a conta da taverna, 
Resolveram lá não mais entrar. 
Nenhuma ex-noiva de taverneiro em toda a colméia 
Pôde, então, usar tecidos de ouro e prosperar, 
Nem perdulários adiantar tão grandes quantias 
Para borgonhas e verdascos. 
Foi-se o cortesão que com sua querida, 
Diariamente ali jantava um banquete de natal, 
Gastando, em duas horas de estada, 
O que sustentaria o dia todo uma tropa de cavalaria.

O arrogante Cloé, que para viver à grande, 
Fizera seu marido roubar ao Estado, 
Agora, contudo, vendeu sua mobília, 
Que fora saqueada nas Índias, 
Reduziu o dispendioso cardápio, 
E usou um ano inteiro os mesmo trajes duráveis: 
A era da futilidade e do capricho passou, 
E as roupas, bem como as modas, permaneceram. 
Tecelões que produziam ricos brocados 
E todos os ofícios subordinados 
Extinguiram-se. Ainda reinava a paz e a abundância, 
E tudo era barato, porém simples. 
A bondosa Natureza, livre do jugo dos jardineiros, 
Concedia todos os frutos no seu próprio tempo; 
Contudo, raridades não se podia mais obter 
Quando os esforços para consegui-las não eram pagos.

À medida que minguaram orgulho e luxo, 
Gradativamente deixaram os mares, 
Agora não os mercadores, mas companhias. 
Fecharam fábricas inteiras. 
Todas as artes e ofícios foram abandonados. 
O contentamento, ruína da indústria, 
Fê-lo apreciar seu estoque caseiro 
E não buscar nem cobiçar mais.

Assim, poucos permaneceram na vasta colméia; 
Não puderam manter nem a centésima parte 
Contra as afrontas dos numerosos inimigos, 
A quem, valentemente, enfrentavam, 
Até encontrar algum refúgio bastante fortificado, 
Onde morriam ou defendiam seu território. 
Não houve mercenários em seu exército; 
Bravamente, lutaram eles próprios. 
Sua coragem e integridade 
Foram finalmente coroadas com a vitória. 
Triunfaram, porém não sem custo, 
Pois milhares de abelhas pereceram. 
Calejadas dos árduos trabalhos e exercícios, 
Consideraram vicio a própria comodidade, 
O que aperfeiçoou de tal modo sua moderação. 
Que, para evitar extravagâncias, 
Voaram para uma árvore oca, 
Abençoadas com satisfação e honestidade.

(Bernard Mandeville)

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07/02/2008
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30/12/2007
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CADA SER HUMANO É ÚNICO... E DEVE SER VALORIZADO A CADA ANO... >>


16/12/2007
CAPITAL HUMANO >>


10/12/2007
A VIDA VALE A PENA >>


03/12/2007
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19/11/2007
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13/11/2007
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06/11/2007
ESTÁTUAS PELO MUNDO...PARA PENSAR E REFLETIR II >>


02/11/2007
ESTÁTUAS PELO MUNDO...PARA PENSAR E REFLETIR >>


25/10/2007
É PENSAR E REFLETIR... >>


17/10/2007
ELITE BRANCA??? >>


14/10/2007
O PROFESSOR DA ARTE - PAULO AUTRAN >>


30/09/2007
FOTOS PARA PENSAR VI >>


24/09/2007
FOTOS PARA PENSAR V >>


16/09/2007
FOTOS PARA PENSAR IV >>


10/09/2007
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02/09/2007
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27/08/2007
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20/08/2007
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